Emoções positivas podem ter um impacto significativo na saúde física e mental, influenciando a longevidade de maneira comparável à importância de uma dieta equilibrada e exercício físico regular.
Um estudo da Universidade de Yale, publicado na revista Psychological Science, sugere que ter uma perspectiva positiva sobre o envelhecimento pode aumentar a expectativa de vida em até sete anos e meio, um número maior do que o benefício associado a fatores como baixo peso, redução do tabagismo ou atividade física regular. É um dado que sempre me impressiona quando compartilho com meus clientes, porque mostra que a forma como você pensa sobre a própria vida tem um peso concreto na duração dela.
Em termos de saúde cerebral, a felicidade e as emoções positivas também parecem desempenhar um papel protetor contra o declínio cognitivo, ajudando a preservar funções como a memória à medida que envelhecemos. A explicação por trás disso está ligada à produção de substâncias químicas cerebrais benéficas, como a serotonina e a dopamina, que promovem o bem-estar e podem proteger contra o estresse e a depressão. A longo prazo, isso contribui para a manutenção da saúde cerebral e reduz o risco de doenças neurodegenerativas.
Do outro lado dessa moeda, a falta de momentos felizes e a presença prolongada de emoções negativas, como tristeza ou estresse crônico, têm impactos significativos na saúde física e mental. Um dos processos mais afetados é a neurogênese, que é a formação de novos neurônios no cérebro, particularmente numa região chamada hipocampo, ligada diretamente à memória e ao aprendizado. Estudos sugerem que a redução na neurogênese pode contribuir para os sintomas da depressão, e é justamente por isso que muitos antidepressivos atuam, entre outros mecanismos, estimulando essa formação de novos neurônios, o que ajuda a explicar por que eles podem melhorar os sintomas ao longo do tratamento.
A ausência sustentada de emoções positivas pode aumentar o risco de depressão e ansiedade, e em longo prazo também tem implicações físicas, como comprometimento do sistema imunológico e aumento do risco de doenças cardiovasculares. Eu costumo usar uma comparação que sempre marca as pessoas: a falta prolongada de felicidade pode ser tão prejudicial à saúde quanto o hábito de fumar. Isso não é exagero retórico, é o que a ciência vem mostrando cada vez com mais clareza, já que ambos representam riscos reais e cumulativos para a saúde geral, ainda que por caminhos diferentes.
E é justamente por isso que eu trago meu trabalho para o centro dessa conversa. As emoções positivas não são um efeito colateral de uma vida bem vivida, elas são um dos pilares dela, algo que pode e deve ser cultivado de forma intencional. A construção de presença, através da meditação e da gratidão praticada com constância, é uma das formas mais diretas de treinar o cérebro a produzir e sustentar esses estados, não como acidente, mas como escolha diária.
A incorporação dessas práticas no dia a dia pode ter efeitos benéficos reais na saúde física e mental, melhorando a qualidade de vida e, muito provavelmente, aumentando também a sua duração.
Giuliano Milan
30 de julho de 2026
A Importância de Emoções Positivas na Longevidade
