30 de julho de 2026

A Influência do Amor, Acolhimento e Afeto na Saúde Integral

A Influência do Amor, Acolhimento e Afeto na Saúde Integral
O amor, o acolhimento e o afeto não são luxos emocionais, são estruturas que sustentam a saúde física, mental e emocional de uma pessoa, e isso é algo que vejo confirmado todos os dias no meu trabalho, muito antes de qualquer estudo.

Quando uma criança cresce sem esse acolhimento consistente, sem alguém que valide o que ela sente, ela carrega isso para a vida adulta de formas que nem sempre são óbvias. Vira dificuldade de confiar, vira uma vigilância constante nas relações, vira uma sensação difusa de não ser suficiente, mesmo quando não existe mais nenhuma ameaça real. O psiquiatra John Bowlby chamou isso de apego inseguro, e a ideia central dele ainda se sustenta, os primeiros vínculos moldam a forma como sentimos segurança pelo resto da vida.

Na minha leitura, o que a carência afetiva realmente deixa como herança é um cérebro da sobrevivência hiperativo, treinado desde cedo a desconfiar, a se proteger, a esperar o pior. E o problema é que esse treino não desliga sozinho na vida adulta, ele continua rodando, mesmo quando a pessoa já está cercada de segurança, já tem uma vida estável, já não precisa mais se defender de nada.

É por isso que trabalho tanto com adultos que carregam essa herança de infância. A construção de presença, através de práticas contemplativas como meditação, contagem de respiração, visualização e microexercícios de atenção, não apaga o passado, mas dá para essas pessoas algo que muitas vezes nunca tiveram, a experiência repetida de estar seguro dentro do próprio corpo, no momento presente, sem a mente disparando para ameaças que já não existem.

Isso tem efeito no corpo também, não só na mente. Estudos sobre oxitocina, o chamado hormônio do vínculo, mostram que ela ajuda a modular o estresse e a fortalecer laços sociais, o que confirma algo que já é evidente na prática, quem se sente amado e acolhido tem um sistema nervoso mais estável, e isso se reflete na saúde física ao longo dos anos.

Reparar essa base não acontece de uma vez, e não é sobre voltar no tempo e mudar a infância que a pessoa teve. É sobre construir, no presente, uma nova experiência de segurança, repetida com consistência até que o corpo aprenda que pode, de fato, relaxar. Isso vale tanto para quem busca isso para si quanto para quem, como pai ou mãe, está tentando oferecer esse acolhimento a um filho.

A saúde integral começa exatamente aí, no acolhimento, no afeto, e na capacidade de estar presente o suficiente para oferecer isso a quem está ao seu redor, e também a si mesmo.

Giuliano Milan