30 de julho de 2026

Empatia Parental: Importância

Empatia Parental: Importância

Uma criança triste porque um amigo não quis brincar com ela precisa, antes de qualquer solução, de alguém que reconheça aquela tristeza como real. Parece simples, mas é exatamente aí que muitos pais travam, porque para acolher a tristeza do filho é preciso primeiro ter acesso à própria tristeza, e boa parte de nós nunca aprendeu a fazer isso consigo mesmo, quanto mais com outra pessoa.

A psicóloga Stefanie Stahl, no livro “A Criança que Fomos, o Adulto que Somos”, descreve bem esse mecanismo, pais que têm dificuldade de se colocar no lugar dos filhos geralmente também têm dificuldade de reconhecer as próprias emoções, e é quase impossível oferecer empatia genuína a partir de um lugar de desconexão emocional consigo mesmo.

Na minha experiência trabalhando com pais, principalmente executivos que vivem no automático boa parte do dia, o que sustenta a empatia parental não é técnica de comunicação, é presença. Um pai presente percebe as pequenas mudanças no filho antes que virem crise, escuta sem já estar formulando a resposta ou a solução enquanto o filho ainda fala, e consegue sentir, ainda que por um instante, o que o filho está sentindo, sem se perder nisso.

Isso não acontece quando o pai ou a mãe está no automático, no cérebro da sobrevivência, resolvendo problemas de trabalho na cabeça enquanto está fisicamente presente com a criança. A criança sente essa ausência, mesmo sem saber nomear o que está sentindo, e frequentemente aprende, cedo, que suas emoções não têm espaço ali, o que pode moldar uma baixa autoestima e dificuldades para se relacionar no futuro.

Treinar essa presença é o caminho mais direto que conheço para desenvolver empatia parental de verdade. Não adianta nenhuma técnica de comunicação não violenta ou de escuta ativa se, por dentro, a mente do pai está em outro lugar. Contagem de respiração antes de entrar em casa depois do trabalho, um minuto de silêncio antes de responder ao filho numa situação de conflito, microexercícios de atenção que ajudam a voltar para o corpo e para o momento presente, tudo isso constrói a capacidade de estar ali de verdade quando a criança mais precisa.

A boa notícia é que empatia parental não é um traço fixo, é uma habilidade que se constrói, assim como qualquer outra. Pais que reconhecem suas próprias dificuldades emocionais, que buscam entender por que reagem de determinada forma diante do choro ou da frustração do filho, e que treinam a presença no dia a dia, criam as condições para que seus filhos cresçam emocionalmente inteligentes, seguros de que o que sentem importa.

Giuliano Milan