15 de julho de 2026

Estados Emocionais Negativos Prolongados Podem Afetar Significativamente a Saúde Física

Estados Emocionais Negativos Prolongados Podem Afetar Significativamente a Saúde Física
Diversos estudos na área da psiconeuroimunologia demonstram algo que eu repito sempre nas minhas sessões: o estado psicológico de uma pessoa não fica isolado na mente, ele se manifesta diretamente no corpo. Um estudo pioneiro de Janice Kiecolt-Glaser e Ronald Glaser, publicado em 1987, mostrou que o estresse crônico pode suprimir a função imunológica, tornando as pessoas mais suscetíveis a infecções. Isso não é metáfora, é fisiologia mensurável.

A mesma lógica aparece nas doenças cardiovasculares. Laura Kubzansky e Ichiro Kawachi encontraram uma conexão entre o otimismo, que funciona como um antídoto natural para emoções negativas, e a redução do risco de doença coronariana. George Slavich e Michael Irwin, por sua vez, mostraram como o estresse psicológico contribui diretamente para processos inflamatórios no corpo, que depois evoluem para diversas doenças crônicas, incluindo a depressão maior.

E aqui está o ponto que eu acho mais revelador de todos: um estudo conduzido por Patricia Boyle e colegas descobriu que ter um propósito de vida, algo que costuma estar inversamente relacionado a estados emocionais negativos prolongados, está associado a uma menor taxa de mortalidade. Ou seja, a forma como você se relaciona com suas próprias emoções ao longo do tempo influencia literalmente quanto tempo você vive.

Isso me leva direto para o centro do que eu ensino. A construção de presença não é uma prática espiritual desconectada da ciência, ela é exatamente a ferramenta que interrompe esse ciclo entre emoção negativa prolongada e adoecimento físico. Quando alguém aprende a observar a própria raiva, a própria ansiedade ou a própria tristeza no momento em que elas surgem, em vez de deixar que elas se acumulem silenciosamente por meses ou anos, o corpo simplesmente não recebe a mesma carga de cortisol e inflamação crônica que recebe quando essas emoções ficam represadas.

O corpo não distingue entre um perigo real e uma preocupação imaginária, ele libera os mesmos hormônios de estresse nas duas situações. O problema nunca foi sentir uma emoção difícil, isso é parte de ser humano. O problema é quando esse estado de alerta nunca desliga, quando a mente fica anos girando em torno do mesmo medo, da mesma mágoa, da mesma frustração, sem nunca processar e sem nunca soltar.

A meditação, nesse sentido, funciona como uma espécie de válvula de escape regulada. Ela não elimina a emoção negativa, e nem deveria, mas ela cria o espaço necessário para que essa emoção seja sentida, reconhecida e, principalmente, processada, em vez de empurrada para debaixo do tapete onde ela continua operando silenciosamente sobre o corpo.

Não é coincidência que, cada vez mais, médicos e cardiologistas recomendem práticas contemplativas como parte do tratamento, e não como complemento opcional.

Reconhecer que uma emoção negativa prolongada está cobrando um preço do seu corpo não é fraqueza, é o primeiro passo para a mudança. E a construção de presença é, na minha experiência, o caminho mais direto entre perceber isso e efetivamente transformar essa relação.

Giuliano Milan