O Brasil vem aparecendo, com uma frequência que me preocupa, entre os países mais ansiosos do mundo, e isso não é um dado abstrato para mim, é algo que vejo todos os dias nas pessoas que chegam até o meu trabalho, executivos, atletas, pais e mães, todos carregando um nível de tensão que já se tornou quase invisível de tão comum.
Essa ansiedade aparece cedo. Vejo isso em adolescentes que já chegam sobrecarregados, com uma cobrança de desempenho que começa na escola e nunca mais para. E aparece também no ambiente de trabalho, onde boa parte das pessoas convive com um estado de alerta constante, mesmo sem perceber que está ali, porque esse estado virou o novo normal.
O que sustenta esse quadro, na minha leitura, é que a maioria de nós vive o dia inteiro operando a partir do cérebro da sobrevivência, aquele estado mais antigo e automático que reage à mesma intensidade diante de um boleto atrasado ou diante de um perigo real. Um estudo publicado no Journal of Psychosomatic Research mostrou como o estresse crônico pode desencadear uma série de doenças físicas, cardiovasculares, gastrointestinais, e isso confirma algo que já vejo há anos na prática, o corpo não distingue ameaça simbólica de ameaça real, ele só reage.
E reage o tempo todo, porque ninguém ensinou essas pessoas a sair desse estado. A calma não aparece sozinha, ela é uma habilidade que se treina, assim como qualquer outra. Sem esse treino, o cérebro de sobrevivência permanece no comando, e a ansiedade deixa de ser um evento pontual para se tornar pano de fundo da vida inteira.
É aqui que entram as práticas contemplativas que uso no meu trabalho, contagem de respiração, visualização, microexercícios de atenção, um conjunto de ferramentas adaptadas ao mundo moderno, não um exercício espiritual distante. É um treino prático e mensurável de trazer a mente de volta ao presente, repetidas vezes, até que isso se torne um hábito do corpo. Alguns minutos por dia já são suficientes para começar a ativar o cérebro da presença, aquele que toma decisões mais calmas e mais claras, em vez de reagir por impulso.
Não é uma solução isolada, e nunca defendo que seja. Ansiedade em nível de país exige política pública, exige educação emocional desde cedo, exige acompanhamento profissional em muitos casos.
Giuliano Milan
30 de julho de 2026
O Brasil, um dois Países Mais Ansiosos do Mundo
