A ideia de que ajudar os outros pode ser benéfico para a saúde e o bem-estar não é apenas uma crença popular, ela é respaldada por uma quantidade crescente de pesquisas científicas. E eu vejo isso de perto, com frequência, nas pessoas com quem trabalho.
Do ponto de vista físico, ajudar os outros está associado a benefícios concretos e mensuráveis. Um estudo publicado em Psychological Science por Michael Poulin e colegas encontrou uma correlação direta entre ajudar os outros e a longevidade, mostrando que pessoas que prestavam assistência regular a outras tinham menor probabilidade de morrer em um período de acompanhamento de cinco anos. Pesquisas do Dartmouth College sugerem que atos altruístas podem diminuir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. E existe uma sensação conhecida como "a alta do ajudante", descrita por Alan Luks, associada à liberação de endorfinas que funcionam como analgésicos naturais do corpo. Pesquisas da University of Exeter mostram que ajudar os outros também pode fortalecer os laços sociais e criar uma sensação genuína de pertencimento.
Do ponto de vista mental e emocional, estudos realizados por Stephen Post mostram que o voluntariado e outras formas de ajuda altruísta podem reduzir sintomas de depressão. Isso faz sentido quando entendemos que a generosidade ativa circuitos de recompensa no cérebro que estão diretamente associados ao bem-estar emocional.
Do ponto de vista evolutivo, o altruísmo tem raízes profundas. O evolucionista David Sloan Wilson sugere que a capacidade de cooperar e ajudar os outros é uma característica que ajudou os seres humanos a prosperar em ambientes desafiadores ao longo de toda a nossa história. Não é por acaso que nos sentimos bem quando ajudamos, essa resposta está literalmente inscrita na nossa biologia.
E é aqui que eu gosto de trazer uma camada que pouca gente discute: o que sustenta a generosidade genuína, aquela que não esgota, que não é performática, que não precisa de reconhecimento para continuar? Na minha experiência, ela vem de um estado interno específico, que eu chamo de presença. Quando a pessoa está presente, ela percebe o outro de verdade, ela escuta, ela nota onde pode ser útil. Quando não está, a generosidade vira obrigação ou estratégia.
A meditação e as práticas contemplativas cultivam exatamente essa qualidade. Pesquisas conduzidas por Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin-Madison, mostram que a prática regular de meditação pode aumentar a atividade em áreas do cérebro associadas à compaixão e à empatia, como o córtex pré-frontal e a ínsula. Estudos com meditação de compaixão mostram que os participantes que praticaram esse tipo de meditação demonstraram aumento real na disposição de ajudar os outros. A meditação, nesse sentido, não é apenas uma ferramenta de autocuidado individual, ela tem um impacto profundo nas relações e na sociedade como um todo.
A saúde, quando vista de forma holística, integra bem-estar físico, mental e emocional. Servir e ajudar os outros beneficia todas essas dimensões ao mesmo tempo, oferecendo uma abordagem que é ao mesmo tempo científica e profundamente humana. E ela começa, como quase tudo que importa, com a qualidade da nossa presença.
Giuliano Milan
15 de julho de 2026
O Impacto do Altruísmo no Bem-estar Físico, Mental e Emocional
